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Archive for novembro \14\UTC 2010

“Renda-se, como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei. Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento.” (Clarice Lispector)

“E se me achar esquisita, respeite também. Até eu fui obrigada a me respeitar.” (Clarice Lispector)

Acho que uma das coisas que estão me incomodando de verdade nesses últimos dias é quando tentam insultar minha humilde inteligência, principalmente quando não é necessário. Detesto de verdade quando as pessoas, para se “aparecerem”, usam as ideias e as palavras de outras pessoas como suas, numa autopromoção vulgar e vil, por não tratar-se da verdade. Além da apropriação de algo que não foi obra própria, o pior é alguém acreditar nisso ingenuamente. Difícil me conter, tenho sempre que me lembrar que eu não posso salvar o mundo e meter-me na vida alheia nunca foi do meu feitio.

“Só o que está morto não muda!
Repito por pura alegria de viver:
A salvação é pelo risco,
Sem o qual a vida não vale a pena!!!” (Clarice Lispector)

As lamentações pura e simples causam-me desconforto. Para falar a verdade, poucas pessoas percebem a minha pouca tolerância aos “chorões de barriga cheia de plantões” e que não fazem nada para virar o jogo a seu favor! Gosto muito de ouvir e normalmente sempre digo uma coisa que pode ajudar. Se não posso ajudar ou não tenho o que falar, calo-me e ofereço meu ombro, meus ouvidos. Gosto de saber que posso ajudar alguém a se reerguer, enxugar uma lágrima derramada, ou mesmo uma ajuda qualquer rotineira, mas não gosto de ser usada ou feita de boba. Quem gosta? Como sou uma pessoa que exige muito de si, fico pensando o porquê das pessoas não perceberem que sempre tem gente em situação pior e que desistir não é uma opção, a luta tem que continuar sempre!

“Sou como você me vê.
Posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania,
Depende de quando e como você me vê passar.” (Clarice Lispector)

Então, de repente, talvez não tão de repente, fui surpreendida por uns desses golpes inesperados, não por não ter sido previsível, posto que, na roda da vida, já recebi outros do mesmo tipo, mas pela maneira egoísta e violenta com que foram desferidos. Golpes desferidos por pessoas que supostamente deveriam ser aquelas que deveriam chegar junto e te apoiar e não ser mais um na horda dos exploradores e por motivos tão mesquinhos e pequenos! Acho que na última quinta-feira, tudo o que eu mais quis foi que aquele dia terminasse bem… Um dia sem rumo, sem destino certo. Fiz o que faço sempre, ouvi muita música, o alimento da alma e tentei achar meu rumo sozinha porque ninguém pode viver em meu lugar. Um momento bem concha embora eu não tenha deixado de fazer minhas obrigações. Acho que o pior foi a sensação de que eu só tinha utilidade para servir, servir e servir, como um empregado subserviente que não tem direito a folga nem salários. Nem quis lembrar o lado divino do servir porque não cabia naquele momento. Lembrei-me de minhas poesias de desespero adolescente e fui em busca de uma delas para chorar mais ainda, numa atitude bem masoquista porque se é para sofrer, vamos chutar logo o pau da barraca e cair logo, para depois levantar!

DESMORONANDO…

(Letícia Viana)

Para onde vou agora?

Eu nem sei se isso é um pesadelo

Nem sei como sair se não for

Deus, diga-me o motivo…

Será que meu dia vai chegar?

E todas as lágrimas que eu já chorei…

E todos os sorrisos…

Em que será que eu devo acreditar?

Será que devo continuar?

Porque achamos que nossa dor é a pior?

E para onde vão os sonhos que morrem?

O que mais dói é que havia tanto em que acreditei

Eu não venci e acho que até perdi

Porque tenho sempre que sonhar?

Será que tenho que sempre sentir doer?

Como seguir?

É algo que não sei?

Sinto-me esvaindo…

Até onde vai meu limite?

Será algo no que sou?

Onde é meu lugar no mundo?

Daria tudo para não sentir que estou desmoronando…

“…Que minha solidão me sirva de companhia.
que eu tenha a coragem de me enfrentar.
que eu saiba ficar com o nada
e mesmo assim me sentir
como se estivesse plena de tudo.” (Clarice Lispector)

Sei que tenho que novamente ser forte, para suportar o tranco, não necessariamente na posição de resistência, porque às vezes é preciso deixar a coisa fluir e ser paciente, para deixar o dia passar, não importa se ele vai acabar bem ou não. Decidi deixar os dias passarem, pensei até em evitar todos os ruídos também, mesmo os ruídos bons… Precisava passar por um período de silêncio porque preciso pensar, preciso deixar a brisa fluir, refrescar as veias, pois existem momentos em que tudo está tão cheio de qualquer coisa, que tudo parece fora de lugar, como se não pudesse se encaixar e incomodam muito.

“Minha força está na solidão. Não tenho medo nem de chuvas tempestivas nem de grandes ventanias soltas, pois eu também sou o escuro da noite.” (Clarice Lispector)

“Sou um coração batendo no mundo.” (Clarice Lispector)

Não posso deixar que tudo suplante o que eu ainda sou, minha essência… Durante muito tempo achei que seria bem mais fácil mudar e me adaptar, mas eu resisto e muitas vezes nem sei o motivo, sabe? Lutei pra tentar fazer o melhor. Abandonei alguns sonhos, que me custaram uma boa parte de mim, de minha essência, por ouvir “bons conselhos”, enfiados garganta adentro. Bom, depois de uma vida inteira de murros dados em pontas de facas, percebo mais uma vez que está na hora de esmurrar outras coisas. Tentei dar o meu melhor com toda minha alma, tentei me rebelar, tentei explodir por dentro e por fora, tentei me conformar, tentei calar a minha voz, me adaptar, mas nunca será o suficiente, se nem me domando funciona e eu não posso viver a vida alheia.

“Faça com que eu saiba ficar com o nada e mesmo assim me sentir como se estivesse pleno de tudo…” (Clarice Lispector)

Naquela manhã, vi que não adianta esmurrar facas afiadas que nunca ficarão satisfeitas, porque sempre surgirão mais facas brotando por aí, como capim em campos verdejantes de solos férteis. Tenho certeza que nunca vou conseguir ser o canal de realização do sonho de outros, nem vou conseguir ser o objeto de realização das necessidades mundanas dos outros, simplesmente pelo simples fato de que cada um tem que percorrer seu próprio caminho!  Também sei que ninguém é capaz de satisfazer todas as expectativas que os outros têm. Momentaneamente não consegui lidar com tudo o que estava acontecendo… Joguei a toalha por um dia inteiro, enquanto sangrava intensamente por dentro, com um sorriso congelado no rosto, porque a vida continua e ninguém tem a ver com seus problemas, nem tem porque pagar o pato por suas batalhas. Sim, eu mais uma vez joguei a toalha, como já havia feito outras tantas vezes pelo “bem maior alheio”, por um pouco de paz, por minha sanidade mental e decidi deixar o tempo mais uma vez passar, estou deixando ver no que vai dar.

“Sou uma filha da natureza:
quero pegar, sentir, tocar, ser.
E tudo isso já faz parte de um todo,
de um mistério.
Sou uma só… Sou um ser.
E deixo que você seja. Isso lhe assusta?
Creio que sim. Mas vale a pena.
Mesmo que doa. Dói só no começo.” (Clarice Lispector)

As facas continuam aqui; algumas apontadas para mim, outras ainda encravadas, novas surgindo a cada instante, fazendo ainda o sangue jorrar, deixando-me meio oca e muito, muito triste. Sei que vai passar, sempre passa… Eu ainda não sei quais outras facas irei esmurrar. Sei que será preciso, mas quais serão, não faço a mínima ideia. A dor e o sentimento de que algo não vai nada bem ainda me fazem companhia. Mas meus “oclitchos cor de rosa” me fazem torcer para que tudo com o tempo se ajuste. E quem faz ideia do que vai dar certo? Isso é a vida!

“A felicidade aparece para aqueles que choram.
Para aqueles que se machucam.
Para aqueles que buscam e tentam sempre.” (Clarice Lispector)

“Porque há o direito ao grito, então eu grito.” (Clarice Lispector)

Sempre haverá a necessidade de planejar o futuro ou aquilo que a gente não tem ideia do que deverá ser ou como queremos e o conflito com a frustrante sensação de fracasso, uma vez os planos, mesmo quando dão certo, estão sujeitos à bombas pra acabar e/ou ameaçar com o que foi conquistado. É como se a gente nunca soubesse como jogar e estivesse na corda bamba ser sermos equilibristas. Eu nunca fui lá muito boa nisso de jogar, sempre tão sentimento que sou! Eu sei que não vivo apenas, eu luto até à exaustão e já deveria estar mais acostumada mas vou te contar, há momentos que cansa, sabe? Há momentos em que eu não desejo ser minha própria torre de força e que desejo apenas me  deixem ser, já que eu deixo o outro ser, como já dizia Clarice Lispector, “Escuta: eu te deixo ser, deixa-me ser então”, uma das minhas frases favoritas.

“Eu não sou tão triste assim, é que hoje eu estou cansada.” (Clarice Lispector)

Esse é um desses momentos de cansaço. Ah, deixa para lá… O importante é que sempre vale a pena viver, mesmo quando dói profundamente, mesmo quando temos dúvidas, mesmo quando somos usados, mesmo quando nos magoam, nos ferem, mesmo quando sofremos e as lágrimas jorram feito cachoeiras, mesmo quando tentam ou matam nossos sonhos. Vale a pena viver sempre, não importa que o quanto você esteja fragilizado porque é certo que a ninguém é dado uma cruz demasiado pesada para carregar. Vale a pena viver mesmo quando dói e faz chorar. Vale a pena viver porque a vida é tão cheia de pequenos milagres diários que não devemos deixar sermos afetados pelas mesquinharias cotidianas nem por aqueles que só conseguem viver olhando para os próprios umbigos ou acham que o sol nasce e se põe para seu deleite pessoal. Cada um é responsável por si mesmo, e arcarão sempre com as consequências positivas e negativas de suas ações, afinal o livre-arbítrio não é só o livre agir. Não vou deixar de acreditar que eu posso, eu mereço ser feliz! E quer saber? Vou continuar sendo a boba sensível de sempre, que chora e gargalha ao ler um livro, a que se emociona, se arrepia, chora e vibra ao ouvir uma música que toca o coração pela beleza de sua harmonia ou de sua letra, aquela que está sempre voando, a que se importa de verdade!

Paciência, Foco, Disciplina, Força, Fé e Coragem – meu mantra favorito para os desafios do dia-a-dia!

Avante sempre, aproveitar o dia sempre com o coração aberto às pequenas alegrias, ao novo, ao porvir!

Alegrar-se com as dádivas que recebemos a cada instante, focalizar o lado positivo das coisas, a beleza das flores, o sorriso de uma criança, a beleza do mar, a beleza da Lua e suas estrelas, o sol a nascer e a se por, a natureza que nos brinda com seu espetáculo diário, os amigos, no trabalho reconhecido, nas pequenas coisas que nos fazem felizes, na magia que podemos fazer acontecer a todo instante…

“Ela acreditava em anjos e, porque acreditava, eles existiam.” (Clarice Lispector em A Hora da Estrela)

“Liberdade é pouco. O que eu desejo ainda não tem nome.” (Clarice Lispector em Perto do Coração Selvagem)

“Acordei hoje com tal nostalgia de ser feliz. Eu nunca fui livre na minha vida inteira. Por dentro eu sempre me persegui. Eu me tornei intolerável para mim mesma. Vivo numa dualidade dilacerante. Eu tenho uma aparente liberdade mas estou presa dentro de mim.” (Clarice Lispector)

NÃO QUERO MAIS

(Letícia Viana)

Não quero mais lágrimas

Não quero mais dor

Não quero mais tentar

Não quero a mão que afaga e depois apedreja

Não quero estar na tempestade esperando a bonança

Não quero ser mais forte nem mais fraca

Não quero mais o desespero silencioso

Não quero mais enfrentar o mundo

Não quero mais descobrir se eu estava certa

Nem se achei o que estava procurando

Não quero mais lágrimas

Só quero ver a graça da vida

As pequenas alegrias

Não quero mais lágrimas

Eu só quero a paz.

EM BUSCA DA PAZ

(Letícia Viana)

Diga-me para onde vão os pensamentos esquecidos

Por que, de repente, eles voltam?

Onde ficam as pequenas alegrias de antigamente?

Na época, nem as valorizávamos…

Onde conseguiremos alívio para a tristeza de agora?

O que fazemos com as noites insones de dor?

Será que apenas as crianças e os loucos dizem a verdade?

Os loucos são internados e as crianças crescem…

Por que complicamos tanto as coisas?

Corremos tanto para nada

Por que destruímos a verdade que há em cada um de nós?

Por que fazemos a guerra quando deveríamos estar em busca da paz?

A vida é uma árdua jornada

Estrada solitária em busca da alma perdida

Tentei apostar na calmaria sendo uma selvagem

Tentei buscar a liberdade quando estou presa às raízes

Qual o mal em sonhar?

Qual o mal em ver a vida com óculos cor de rosa?

Eu não preciso de guerra

Eu só preciso ir em busca da paz.

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